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Quem sou eu, e como posso sentir-me bem comigo mesmo?

Apesar dos milhares de anos conseguindo se adaptar à natureza, sobreviver às intempéries, aos terremotos, aos animais ferozes, às epidemias e toda sorte de perigos, o ser humano ainda continua vítima daquilo que sempre lhe pareceu o menor dos perigos: seu semelhante e ele mesmo.

É intrigante o fato de não termos conseguido dominar essas duas ameaças ao longo de toda nossa história. Não quero dizer dominá-las no sentido de subjugá-las ou conquistá-las. A questão se refere a dominá-las no sentido de não mais permitir que elas nos causem sofrimento. Talvez então, o mais correto seria pleitearmos integrar-nos harmonicamente a elas e não, propriamente, dominá-las.

Durante toda nossa história temos experimentado algum sofrimento, mágoa ou desencanto com nosso próximo, e, não obstante, temos nos permitido sofrer, magoar ou desencantar na medida exata do quanto não nos conhecemos.

Muitas vezes encontramos nas relações familiares, profissionais, sociais e de amizade, barreiras e dificuldades para compreendermos nosso semelhante e de sermos compreendidos por ele. A dificuldade em estabelecer comunicação satisfatória e desejável acaba gerando desarmonias de relacionamento, tornando nosso convívio pessoal empobrecido, distante e difícil.

Aliás, algumas vezes temos dificuldades em estabelecer, inclusive, um bom relacionamento conosco mesmo. É possível que a causa principal de não termos logrado sucesso total no relacionamento pessoal tenha sido subestimar esses nossos adversários.

A grande dificuldade foi, talvez, devida ao fato de nossa biologia ter-nos feito seres humanos adicionados a instintos de preservação e de conservação, portanto, incapazes de viver sozinhos e, ao mesmo tempo, seres egocêntricos, portanto, difíceis de viver bem com o outro: sozinhos não conseguimos viver e, paradoxalmente, com o outro também temos dificuldades. Mas, para compensar essa peça que a natureza nos pregou, fomos ditados de um atributo muito especial: somos capazes de mudar.

Por se preocupar com a pessoa, aliviando seu sofrimento e sua angústia, a Psicanálise reconheceu que só se consegue algum progresso propondo entendimento na pessoa e não no mundo à sua volta. Isso quer dizer que, diante da possibilidade de uma pessoa estar sofrendo mágoas ou frustrações produzida por outra pessoa ou por circunstâncias ao seu redor, melhor será pleitear que aquela pessoa não se magoe e nem se frustre ao invés de tentar agir nos outros e nas circunstâncias.

Antes de continuarmos será proveitoso saber que existimos nesse mundo de três maneiras diferentes:
  1. Numa primeira forma existimos como alguém que é para nós mesmos, portanto, representamos uma determinada pessoa para nossa própria consciência sob a forma de auto-estima.
  2. Em segundo lugar, somos alguém para nosso próximo, ou seja, representamos um determinado personagem social dirigido aos nossos espectadores.
  3. E, em terceiro, somos essencialmente e realmente alguém, muito embora sem termos, necessariamente, uma nítida consciência de como somos de fato e em nossa essência.
Por dedução devemos supor que nosso próximo também tenha uma existência tripla, ou seja, que ele possa ser alguém para si e segundo sua própria opinião, alguém para os outros, de acordo com aquilo que aparenta ser e, finalmente, alguém de fato e essencialmente humano. Ao entrarmos em um relacionamento vamos entender quem é esse “Eu” que vai se relacionar com o outro e consigo mesmo e quem é esse outro, que também vai se relacionar com o “Eu”.

O que eu sou para mim



Ser para nós mesmos significa ter consciência de nossa própria pessoa. Em resumo, diz respeito à nossa auto-estima. Como posso Sentir-me bem comigo mesmo? Para isso, você terá que saber representar a você mesmo de forma satisfatória, isto seria o ideal emocional.

Há alguns estados emocionais ou características de personalidade onde a auto-estima está ou será prejudicada. No primeiro caso a pessoa esta passando por um momento onde, por diversas razões emocionais, sua auto-estima encontra-se depreciativa e no segundo caso, a pessoa tem um traço incômodo de personalidade que proporciona uma constante maneira de auto depreciar-se.
Hipoteticamente podemos exemplificar as conseqüências da auto-estima sobre a maneira de nos sentirmos diante das adversidades da vida da seguinte maneira: vamos imaginar nosso envolvimento numa briga de rua... Nosso medo, portanto, nossa ansiedade, será proporcional ao tamanho de nosso adversário. O tamanho do adversário será sempre em relação a nós mesmos; maior ou menor que nós, é o que interessa.

E como sabemos nosso próprio tamanho?
A consciência que temos de nós mesmos é nossa auto-estima. Se nos sentimos fortes, grandes, competentes, saudáveis e espertos a ansiedade diante dos adversários será muito menor caso nos sentíssemos fracos, combalidos, frágeis, incompetentes, doentes, etc.

Ora, sabemos que a ansiedade excessiva proporciona um estado de estresse suficientemente forte para comprometer seriamente a adaptação. Assim sendo, diante de uma auto-estima prejudicada, a adaptação ficará, também, seriamente prejudicada.

De um modo geral, quem ou o que eu represento para mim mesmo é determinado pelas Categorias Anímica e Vital de valorizar a realidade, realidade da qual minha auto-imagem faz parte.

Nosso estado de ânimo está diretamente relacionado às oscilações das maneiras como nos vemos, ora mais positivamente, ora negativamente, e o estado vital está relacionado à maneira mais constante de como nos representamos a nós mesmos.

O que eu sou para o outro



Será que nossa atitude com o outro ou nossa postura social é sempre a mesma e constante nas diversas situações de nosso cotidiano?

Será que nos apresentamos da mesma forma na praia e no velório ou no trabalho e no futebol?

Não. Normalmente, e em nome do bom senso, devemos nos apresentar adequadamente às expectativas de nosso público, portanto, de alguma forma estamos quase sempre desempenhando algum tipo de papel em atenção aos nossos expectadores.

Para o sucesso social do ser humano há sempre uma imperiosa necessidade da pessoa se apresentar ao outro através de uma identidade pessoal adequada.

Não se vai à praia com traje social e nem a um casamento de maiô. Embora isso seja democraticamente possível, corre-se o risco de uma internação psiquiátrica, não é verdade?

Vamos chamar essa postura versátil de adequação às diversas situações de nosso dia-a-dia de PAPEL SOCIAL. Estamos, pois, diuturnamente desempenhando algum tipo de papel social. A função dos papeis sociais está relacionada à própria identidade da pessoa em seu meio social, uma maneira desejável de se apresentar aos nossos semelhantes e assegurar uma identidade pessoal mais aceitável possível. Podemos comparar esses papeis sociais à nossa própria roupa; ninguém será capaz de apresentar-se nu para seu meio social e, além disso, para cada circunstância social nos apresentamos com um vestuário adequado.

Para irmos à praia escolhemos os trajes de banho e não uma roupa social e vice-versa. Embora sejamos obrigados a adequar nosso vestuário às circunstâncias, continuamos sendo sempre a mesma pessoa; somos aquela mesma pessoa que se apresenta formalmente num jantar de gala e aquela que se apresenta descontraidamente na praia. O vestuário é capaz de modificar nossa identidade para nossos observadores, de tal forma que, vestindo roupas sociais (terno e gravata) não somos considerados da mesma maneira como se estivéssemos usando apenas roupas íntimas, apesar de sermos a mesma pessoa. Somos exatamente o mesmo que esbraveja e ofende durante uma partida de futebol, aquele que se penitencia e ora na igreja, aquele que afere lucros e aquele que faz caridade.

O sucesso social da pessoa, tão glorificado pela nossa cultura, é conquistado na proporção de um bom desempenho artístico e, conseqüentemente, nossa aprovação social estará de acordo com a qualidade do personagem que oferecemos aos nossos espectadores.
Durante o correr do dia podemos desempenhar vários papeis sociais; somos pai, filho, esposo ou irmão, compreensivo e amável dentro de casa, somos motoristas arrojados no trânsito, empresários ardilosos no banco, compradores exigentes ou vendedores flexíveis na empresa e assim por diante. E nosso sucesso dependerá da fidelidade para com nosso personagem.

Normalmente conseguimos mais comida quando parecemos estar com fome do que quando estamos realmente com fome e não aparentamos, teremos mais crédito quanto mais aparentarmos honestidade, seremos mais convincentes quanto mais parecemos conhecer aquilo que falamos. Tudo isso espelha o sucesso de nosso personagem.
Portanto, existir para o outro implica em desempenhar muito bem o papel social, implica em adequarmos nosso personagem ao anseio de nosso expectador. A pessoa que procura um médico, por exemplo, antes de chegar ao consultório já possui uma perspectiva de imagem do médico, mais precisamente, da postura do médico. O médico, por sua vez, terá maior sucesso quanto mais próximo estiver da perspectiva de seu cliente.

O que eu sou de fato



Sou, de fato, representante da espécie humana, tanto quanto o são todos meus semelhantes. Portanto, habita em minha personalidade todos os traços encontrados nas demais pessoas, mas, apesar de não haver nada de especial em mim que não haja em todo mundo, a combinação desses traços em meu interior é que me faz uma pessoa única e exclusiva.

Se fosse possível listar todos adjetivos do ser humano, tais como lealdade, ambição, fraternidade, inveja, maldade, companheirismo, egoísmo, caridade, etc., veríamos que esses infindáveis atributos, independentemente de seus méritos e deméritos, existem em minha pessoa assim como em todas as pessoas. Acontece que todos esses adjetivos combinam-se entre si para constituir minha particular personalidade, uns sobressaindo-se aos outros, alguns manifestando-se em quantidades diversas, uns permanecendo dormentes, enfim, todos arranjam-se de forma a tornar-me único.
Portanto, de maneira mais ou menos grosseira, para aprimorar nossa compreensão sobre o outro basta investigarmos nosso próprio interior. Alguns de nossos traços mais primitivos e instintivos são domesticados e se apresentam socialmente dissimulados através de nossos papeis sociais.

A gula, a avidez, a sedução, a inclinação para a posse e o orgulho, por exemplo, podem ser perfeitamente trabalhados e se apresentarão através dos mais variados subterfúgios sociais. Da mesma forma, a vingança, a ira e a crueldade podem vestir uma roupagem de justiça, assim como também, o sentimento de culpa e a inclinação à barganha com vantagens podem se traduzir em atitudes caridosas e filantrópicas. Normalmente temos uma tendência em recriminar nos outros as coisas que não conseguimos ou não nos permitimos (o que dá no mesmo) fazer.

Causa-nos profundo constrangimento e irritação observar nos outros a manifestação livre de alguns traços primitivos, os quais não nos permitimos usar. Entretanto, consultando nossa intimidade, veremos que possuímos também esses mesmos traços. Apenas não nos permitimos usá-los. Diante da frustração de vermos nos outros, atitudes que não nos permitimos mas que estão dentro de nós, primeiro dissimulamos essa nossa incapacidade sob rótulos socialmente enobrecedores, tais como "prefiro ficar com a consciência tranqüila" ou "isso está moralmente errado", ou finalmente, "quero estar de bem com Deus". Depois condenamos as pessoas que procedem dessa forma deplorável.

Veja, por exemplo, nosso sentimento de rancor ao vermos, num congestionamento de trânsito, pessoas que passam pelo acostamento e nos deixam para trás. Torcemos para que encontrem um caminhão parado no acostamento que os impeça de prosseguir ou que tenha lá um policial austero e multe todos eles. O que queremos dizer é que existe também em nós o instinto da vantagem sobre os demais, tanto quanto existe nas pessoas que fazem valer fortemente essa inclinação.

Finalizando posso dizer que, de modo geral e excluindo-se as aberrações de nossa espécie, somos o mesmo que o outro, tão humano quanto ele, tão ávidos de prazeres, tão carentes de carinho, tão necessitados de bem-estar quanto ele e, se alguma grande diferença pode ser observada, é o fato de estarmos do lado de cá do balcão e ele do lado de lá. Nosso desconsolo é desesperador ante o sofrimento ou ante a morte desse nosso outro mas, inevitavelmente, entre uma lágrima e outra, acabamos pensando "antes ele do que eu".

Quem é “o outro” ?



Agora está bem mais fácil entendermos Quem ou O Que é o outro, mais precisamente, O Que o outro representa para nós.

Soubemos que a realidade é representada, em todos seus aspectos, de maneira muito particular e íntima a cada um de nós através da "REPRESENTAÇÃO, E PROJEÇÃO QUE FAÇO PARA O OUTRO".

Soubemos que há varias maneiras de valorizarmos essa realidade através dos "valores e da representação da realidade". Soubemos também como reagiremos emocionalmente e sentimentalmente à realidade (onde o outro está incluído) dependendo de "como reagimos à realidade".

Assim como os fatos, os eventos e os objetos, também as pessoas farão parte da nossa realidade, ou seja, representarão algo muito pessoal e terão uma valorização muito pessoal para nós. Muito embora as coisas da realidade, como o outro, os objetos e os fatos, possa ter um determinado valor próprio e objetivo, como é a cotação do ouro ou a autoridade do Papa, por exemplo, o real valor subjetivo (que realmente mais interessa) só pode ser alocado ao objeto através do sujeito, ou seja, somente eu mesmo serei responsável pelo valor que atribuo às coisas. De certa forma, em geral o outro representará para mim aquilo que eu permito. O outro representará uma ameaça, uma coisa boa, um adversário, um amigo, uma namorada, um cúmplice, um companheiro ou um concorrente na medida em que eu vejo ou projeto, estas representações nele.

Portanto, compreendendo a questão como compreendemos agora, será incorreto dizer que fulano me irrita, me humilha, me agride ou me ameaça. O mais correto será dizermos eu me sinto irritado com fulano, eu me sinto humilhado, eu me sinto agredido ou ameaçado. Há, evidentemente, situações onde a objetividade dos fatos é contundente e não deixa margem à dúvidas representativas. Diante de um assalto, por exemplo, aquela pessoa que está me apontando a arma representará, de fato, o assaltante, uma séria ameaça à vida. Assim como o chefe no emprego deve representar-me, obrigatoriamente, meu chefe. Entretanto, em alguns casos, o valor subjetivo representado pelo chefe pode ultrapassar seu suposto valor objetivo e, sendo assim, diante dele a pessoa acaba experimentando emoções e sentimentos tal como se estivesse diante do assaltante, diante de uma séria ameaça. Voltamos a enfatizar que o valor atribuído ao outro, emana e provem do sujeito.

Antes então, há que se perguntar quem ou o que sou eu, esse sujeito que se depara com o outro e, depois disso, quem ou o que é esse outro em relação ao eu; será maior, menor, mais forte, mais fraco, igual, semelhante, parecido, enfim, qual será o grau de comparação entre o Eu e o outro? Por isso que sempre peço a meus clientes que falem principalmente de quem eles não gostem, ou de coisas que eles não tem nós outros...

Publicado em 19/03/2009 às 20:40 hs, atualizado em 01/07/2016 às 10:50 hs


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