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A “teoria da sombra” e sua influência em nossas vidas


Todos nós temos um lado obscuro da personalidade, a que Jung chamou de “Sombra”. Ela é formada pelos aspectos que fazem parte de nós mas que insistimos em negar, por diversos motivos. Esta negação acaba levando a conflitos internos e distúrbios de comportamento, que afetam a saúde da pessoa e daqueles que com ela convivem.

Na postura da Psicologia tradicional, a “sombra” viria do inconsciente coletivo e acabaria tornando-se parte do inconsciente individual. A Sombra está presente na formação do psiquismo, inclusive a partir da concepção, gestação e nascimento. Ela acaba fazendo parte da mente e vai influenciá-la ao longo de toda aquela existência. Falando em termos mais simples, o “lado Sombra” é aquele aspecto da nossa personalidade que insistimos em negar. Por isto, ele permanece obscuro e quase sempre com tendências a se projetar naqueles que estão próximos de nós, na maioria das vezes vendo-o em pessoas do mesmo sexo.

Analisando a Sombra sob as luzes da psicanálise transpessoal, vamos entendê-la como a bagagem da nossa história, das diversas “vidas” que já vivemos em nossas existência e que permanecem dentro de nós, através das personalidades que já vivemos, não elaboramos, e que continuam presentes influenciando nossas atitudes inconscientemente.

Sob o ponto de vista espiritualista, o fato de termos vivido muitas encarnações significa que o ser humano é uma personalidade em construção, sendo a soma personalidades transitórias vividas. Quando alguma dessas personalidades deixa conflitos não resolvidos, que não foram elaborados pela consciência para se transformarem em produtos de evolução, esses conflitos continuam aguardando resolução. Nesse estado psíquico, apesar de estarmos com a nova personalidade da vida atual, as anteriores se mantêm influenciando o comportamento.

O fato é que acabamos por ver nosso lado Sombra no comportamento alheio, valorizando-o no outro porque, na verdade, ele se ressalta a partir de nós mesmos. Nem sempre conseguimos ver como estamos, por isso fazemos uso de um “espelho” que reflita nossa imagem. E a melhor forma de analisar a íntegra de quem somos é observar, no “espelho” da mente alheia, as projeções que fazemos de nossa Sombra, para que, olhando-a frente a frente, venhamos a aceitá-la e elaborá-la no rumo da saúde mental. Quando observamos estar muito sistematicamente criticando as pessoas e, mais especificamente, determinados tipos de comportamento, convém prestar atenção pois poderá ser um aspecto de nossa própria Sombra que estamos querendo negar.

Um exemplo de manifestação da Sombra: alguém que detesta e agride pessoas homossexuais pode ser porque, na verdade, ele(a) mesmo tem um lado homossexual reprimido. Outro caso: alguém que critica outra pessoa por ser inconseqüente e boêmia pode estar incomodada porque, na verdade, esta outra pessoa faz exatamente o que ele(a) gostaria de fazer.

O lado sombra é ruim?

Podemos pensar na Sombra como características do nosso ego com as quais perdemos contato, esquecemos ou renegamos. Pensando por este lado fica fácil perceber que a Sombra pode conter não somente os aspectos “maus” aos quais tentamos renunciar — como violência e perversidade, por exemplo – mas também aspectos “bons” – como a bondade e compreensão – que, muitas vezes, acabamos esquecendo que possuímos.

Lembrando que o conceito de “bom” ou “ruim” é relativo, é preciso dizer que o lado Sombra não é composto apenas de sentimentos ruins, ainda que esta seja a prevalência. A Sombra pode também ser algo de bom que queremos negar, por não ser útil as necessidades do contexto de nossas vidas. Para determinadas pessoas, um comportamento bom pode vir a ser motivo de fraqueza diante de relações sociais regidas pela competitividade e violência, tornando-se a Sombra algo perigoso para a sobrevivência. Numa guerra, por exemplo, o soldado não tem como ficar pensando em bondade e caridade, por isso precisa reprimir estes sentimentos durante a ação.

A menos que tenhamos consciência de sua existência e funcionamento, a sombra quase sempre é projetada. Isto significa que a colocamos cuidadosamente sobre alguém ou alguma coisa para não termos que assumir responsabilidade por aquilo que estamos renegando. Entenda, portanto, que geralmente as pessoas fazem os outros carregarem a sua Sombra no lugar delas. Quando você recebe uma projeção deste tipo, sua própria sombra irrompe e aí então o conflito é inevitável.

É preciso entender que rejeitar a sombra do outro não é lutar contra ela mas, segundo uma conhecida analogia, o certo é fazer como um bom toureiro, que deixa o touro passar sem o atingir. A dificuldade está na complicada teia de trocas de sombras nos relacionamentos, que acaba por roubar de ambas as partes sua plenitude potencial.

O grande problema dessa situação é o desconhecimento do fato, o que se dá no caso da Sombra, quando os conteúdos psíquicos negados se transformam em complexos que poderão adquirir autonomia, imunes à ação da consciência. Nessas condições, algo parece existir que nos leva em uma direção quando gostaríamos de seguir em outra, fazendo não aquilo que conscientemente sabemos ser o melhor, mas o que as forças inconscientes nos induzem.

Determinados casos de vícios, de comportamentos obsessivos-compulsivos, de emoções e atitudes repetitivas e incontroláveis podem ser explicados dentro desse referencial. Assim, um grande desafio para o encontro do equilíbrio emocional é tornar consciente nossa Sombra – no processo que Jung chamou de “individuação” -- dando-nos uma visão mais clara de nosso “Self”, de nossa totalidade. Estudar-se e conhecer-se a si mesmo, como autodidata ou em processos psicanalíticos, é o melhor caminho para encontrar medidas profiláticas e terapêuticas para o alcance da felicidade e da paz interior.

Medidas profiláticas para o “lado Sombra”

Já vimos como o “lado sombra” existe e se manifesta, passemos então a refletir sobre como prevenir ou lidar com a existência de aspectos inconscientes de nossa personalidade, mas que governam nossos pensamentos e atitudes.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que não é possível evitar o desenvolvimento do lado Sombra. A Sombra surge como um processo natural do psiquismo, a partir da infância, e tem funções defensivas importantes quanto às características nossas com as quais o Ego não consegue lidar e que, por isso mesmo, as mantêm “escondidas”, em regime de repressão.

Quando dizemos que o lado sombra encontra-se reprimido, nos aproximamos de uma definição freudiana dos conteúdos inconscientes, enquanto que o conceito “lado sombra” compõe a teoria psicanalítica de Jung. Contudo, a diferença principal fica quanto à origem de sua constituição que, para Jung, seria um arquétipo primordial absorvido do inconsciente coletivo pelo psiquismo humano, enquanto os conteúdos reprimidos, para Freud, seriam fruto das experiências infantis que foram transferidas para o inconsciente por não serem suportadas pelo Ego. Em ambos os casos, continuamos a ter, ao longo da vida, complexos emocionais estruturados na mente que, muitas vezes, ganham autonomia.

Não existem, portanto, medidas profiláticas para impedir o surgimento do lado sombra. Entretanto, existem muitas formas de tomarmos consciência do fato e adotarmos medidas profiláticas para sermos felizes, de maneira a impedir que o lado sombra ganhe autonomia e passe a governar nossas vidas mesmo que a nossa revelia. Nesse sentido, a profilaxia para o alcance da felicidade corresponde à terapia para a elaboração do lado sombra.

A palavra “elaboração” ganha um sentido especial quando tratamos de conceitos psicanalíticos transpessoais. “Elaborar” significa “refletir verbalizando uma emoção” para que, na instância do Ego, sejam apreciados os prazeres e desprazeres em jogo, ou seja, nossa sujeição aos desejos inconscientes ou nossa necessidade de adaptação às exigências da realidade exterior, a fim de que o resultado final possa ser utilizado como produto de experiência para o amadurecimento da alma.

Parece confuso? Entenda que todos os conteúdos inconscientes ficam registrados sob sua forma simbólica e não verbal. Dessa maneira, para os trazermos à atividade reflexiva do Ego consciente é preciso dar-lhes uma forma concreta e verbal. Aí se inicia a elaboração. Só que alguém já deve estar se perguntando: se o conteúdo é inconsciente, e eu não o conheço, como trazê-lo à luz da razão, traduzindo-o em palavras?

Os conteúdos inconscientes não podem ser observados diretamente, mas se apresentam indiretamente pelos sintomas produzidos. Entre os diversos sintomas podemos citar:
  • Os “atos falhos”, que são erros de linguagem como trocar o nome da esposa pelo da mãe, o do chefe pelo do marido,
  • Cargas emocionais despropositadas que aplicamos em determinadas situações
  • Repetição de nossos discursos,
  • Naquilo que criticamos nos outros, que funcionam muitas vezes como um espelho de nós mesmos.
  • Conteúdos dos sonhos
  • Tiques nervosos,
  • Pensamentos que escondemos de todos e até tentamos esconder de nós mesmos.
  • Sintomas físicos reais, como dores e disfunções orgânicas.
Através de um estudo detalhado desses comportamentos podemos retornar às origens das pulsões que os produzem, concluindo sobre os conteúdos guardados no inconsciente. É preciso refletir sobre quais as motivações que nos levaram a reprimi-los, ou seja, que conceitos equivocados sobre nós mesmos tentamos manter, e que são ameaçados caso esses conteúdos sejam conhecidos. Essa clarificação proporciona a percepção exata de nossos mais profundos desejos, muitas vezes altamente censuráveis pelo Ego, e que evitamos enxergar. Disso, surge uma outra questão: que imagem nós desejamos manter para o mundo exterior? Uma imagem que, apesar de irreal, traz alguma forma de gratificação. Todas essas reflexões vão clarificando a visão que temos de nós mesmos, tornando nossos pensamentos e decisões mais conscientes e próximos da realidade.

Contudo, mesmo aí o lado sombra ainda não está passível de controle. Somente a experiência do cotidiano, em que vamos confrontando nossos comportamentos mais espontâneos com a compreensão de nossa mente é que, entre erros e acertos, pouco a pouco, o caminho de nossa libertação vai surgindo.

Certamente que é um processo difícil, que exige paciência e perseverança. Mas vale a pena, qualquer esforço valerá sempre à pena quando nos mostre a verdade e nos mostre como viver melhor com nós mesmos, com tudo o que trazemos dentro de nosso consciente e inconsciente.

Publicado em 17/03/2009 às 17:36 hs, atualizado em 01/07/2016 às 10:50 hs


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