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Professor Iberê
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O que fizeram ao nosso país? Será que a saída da presidente Dilma vai melhorar alguma coisa?

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos equipe

As coisas ficaram difíceis para os brasileiros. Fora uma minoria que está muito bem, obrigado, o restante está tendo que inventar meios de sobreviver. Porque isto está acontecendo? Onde está a origem do problema? Façamos uma retrospectiva para analisar o caso.

A reeleição da presidente Dilma em 2015 foi tumultuada e disputada. Favorita nas primeiras pesquisas, aos poucos foi perdendo terreno. A primeira ameaça veio do candidato Eduardo Campos, que morreu num acidente de aviação antes de dizer a que viria. Depois Marina Silva chegou bem perto e, no final da campanha, a disputa maior foi com o senador Aécio Neves.

A equipe da então candidata Dilma não mediu esforços para reelegê-la. Lançou mão de todas as armas que podia, apelando inclusive para denegrir a imagem dos adversários e, principalmente, para dividir o país entre “nós” e “eles”. Entre “ricos” e “pobres”. Entre “patrões” e “empregados”. O Brasil ficou bipolar, você tinha que ser preto ou branco, quente ou frio. O cinza e o morno passaram a ser sinônimo de gente reacionária ou contra-revolucionária. Amizades de longo tempo se desfizeram ao sabor dos fatos políticos, amigos viraram inimigos, casais se separaram e uma parte da população acabou se indispondo com a outra. Como pano de fundo disto tudo apareceu a corrupção de proporções nunca vistas em toda a história da humanidade. Ficou clara a incompetência generalizada nos três níveis de administração pública – municipal, estadual e federal.

Nunca antes na história deste país se viu recessão igual. O desânimo tomou conta dos investidores, que não viam porque continuar investindo num país que amanhecia diferente a cada novo dia, onde a previsibilidade virou artigo raro e qualquer planejamento dava errado logo na semana seguinte, dado o turbilhão de fatos. Os empregos foram sendo suprimidos à taxa de milhares por dia, e chegamos ao cúmulo de termos 12 milhões de desempregados.

Mas teria esta situação começado nesta época? Ou será que começou antes? Sou partidário desta última hipótese. E não ponho a culpa neste ou naquele partido, em um ou em outro político. A situação vem se desenhando desde os anos 80, quando começou o processo de redemocratização, com o final do regime militar e a volta dos políticos e artistas que tinham se exilado fora do Brasil. Me arriscaria até a colocar uma data: 5 de outubro de 1.988. É quando passou a valer a atual constituição.

A constituição de 1988 criou uma configuração política que deu grandes poderes ao congresso nacional. Os deputados e senadores ganharam uma força tremenda e cada segmento da sociedade também foi premiada com seus direitos. Nada contra proteger grupos mais fracos ou carentes como índios, mulheres, menores e similares. Mas é a velha história, tudo o que é demais deixa de ser bom. A situação interna somou-se ao contexto internacional do “politicamente correto”, onde qualquer alusão a preconceito passou a ser tratado como crime gravíssimo, onde o direito coletivo passou a ser subjugado em favor das minorias. Onde o empreendedor passou a ser responsável por manter uma estrutura enorme, que começava com os milhares de políticos, passava pelos milhões de funcionários da administração pública e acabava chegando nos seus próprios empregados.

Dar emprego passou a ser quase que o equivalente a adotar um filho ou um menor carente. O empreendedor que se arrisca nos negócios, que tem a ousadia de montar uma empresa, passou a ser uma grande fonte de receita para aqueles que se apoderaram do estado. Além de todos os impostos que paga oficialmente, a fiscalização passou a ser um poder paralelo. A corrupção passou a fazer parte das folhas de pagamento. Tanto é assim que a maior ameaça que um empresário pode sofrer é de alguém fazer uma auditoria na empresa. Certamente serão encontradas anormalidades,pois a legislação é complexa, injusta, difícil de entender e contraditória. Onde surge uma dúvida, tome aí uma multa. E não é uma multinha qualquer, as multas no Brasil são muito acima do razoável. Ai do empresário que não pagar uma guia de imposto, precisará arcar com uma enxurrada de multas, correções monetárias, juros, taxas e honorários.

E o que o governo oferece em troca? Pouco. Muito pouco. Cada vez menos. A infra-estrutura vem piorando ano a ano e falta tudo: eletricidade, água, educação, saúde, transportes terrestres, aéreos, marítimos e fluviais... Isto sem falar da desorganização, da legislação antiquada, da competição desleal, da corrupção e do poder judiciário lento e precário. Ser empresário no Brasil é tarefa para os destemidos.

O impedimento da presidente Dilma em 2016 vai mudar alguma coisa? Não creio. O grupo político que assumiu o poder é o mesmo que dava sustentação aos governos anteriores. As mesmas forças que contribuíram para o caos generalizado continuam por aí. Estão alojadas no congresso, nas faculdades, nos sindicatos, nos meios de comunicação e nas repartições públicas. O “nós” contra “eles” vai continuar. O diálogo foi suprimido, cada um pensa ser o dono da verdade, ignorando o outro lado. Pior que isso, atacando o outro lado. O pensamento é bem simples: se eu estou certo, então quem pensa diferente está errado. Ponto final.

Numa situação destas fica difícil o diálogo produtivo, é impossível surgir a união que faz a força. É como uma guerra onde todo mundo perde e só quem ganha é aquele que fica de fora, fornecendo munição para os dois lados. Nossa indagação inicial, portanto, pode ser respondida com uma pergunta: a quem interessa esta divisão e fragmentação da sociedade brasileira?

Publicado em 10/09/2016 às 04:35 hs, atualizado em 22/11/2016 às 15:02 hs


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